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Raad, Walid
Walid Raad (Chbanieh, Líbano, 1967)Preface to the Seventh Edition _ I - VI, 2012- Prefácio à sétima edição _ I - VI, 2012
- Impressão a jato de tinta montada sobre alumínio Dibond (6 elementos). Ed. 4/5 + 2 P.A.
- 73.7 x 110.5 cm (cada)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2013
- Em "Preface to the Seventh Edition _ I - VI" [Prefácio à sétima edição _ I - VI], Walid Raad importa termos da história da arte ocidental para o contexto do Médio Oriente, especulando sobre uma hipotética forma de abstração árabe. Para acompanhar a apresentação destas fotografias, Raad escreveu uma curta história em que descreve como seis pinturas expostas num museu nos Emirados e consideradas exemplos canónicos de abstração árabe do início do século XX foram retiradas da mostra. Ainda segundo a história, os diários recentemente descobertos do pintor revelavam que as obras, até então identificadas como "Sem título", se intitulavam afinal "Pintura da sombra de uma pintura I-VI". Raad confronta-nos com uma reflexão sobre a validade supostamente universal do léxico usado no mundo ocidental para definir a produção artística. "Preface to the Seventh Edition _ I - VI" faz parte de um corpo de trabalho em desenvolvimento, intitulado "Scratching On Things I Could Disavow" [Esgaravatando em coisas que eu poderia negar], que inclui esculturas, vídeos, fotografias e histórias e que traduz o seu fascínio pela emergência de novos museus, galerias de arte, escolas e fundações em cidades como Abu Dhabi, Beirute, Cairo, Ramallah e Sharjah. Independentemente dos motivos que levam estas regiões a investir em arte, Raad está interessado na possibilidade de repensar a história da arte no contexto das novas instituições artísticas que proliferam atualmente no mundo árabe. Mais especificamente, interessa-lhe refletir sobre a influência material e imaterial dos conflitos armados na cultura e na tradição.Walid Raad é ensaísta, professor e artista, fundador do fictício The Atlas Group, projeto que se dedica à investigação da história contemporânea do Líbano. The Atlas Group recolheu, produziu e apresentou documentos atribuídos a diversas pessoas. A compilação de supostos factos explora dimensões esquecidas das guerras civis libanesas. Como projeto que produz falsa documentação, The Atlas Group propõe uma reflexão sobre a autoria da História e põe em causa a noção de um relato histórico definitivo.
Rego, Paula
Paula Rego (Lisboa, Portugal, 1935)A Cinta, 1995- Pastel sobre papel montado sobre alumínio
- 160 x 120 cm
- Col. privada, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2004
- Sem título evidencia a submissão da mulher às convenções sociais da feminilidade, evidente na aparente expressão de desconforto da figura no momento de vestir uma cinta. A pintura foi produzida no intervalo entre as grandes séries temáticas pelas quais Paula Rego é sobretudo conhecida e reflete duas alterações decisivas no seu trabalho: a introdução do pastel e o recurso a modelos vivos, que introduzem na sua obra um imediatismo do gesto. Estes dois fatores dão origem a mudanças substanciais nas suas telas, que se despojam da sua bem conhecida galeria de adereços e personagens (pessoas e animais) e também dos seus sugestivos jogos de escala, para passarem a exibir figuras isoladas (quase sempre mulheres) de grande intensidade dramática.A atividade artística de Rego desdobra-se pela pintura, pelo desenho e pela colagem. Interessa-se, com frequência, pela imaginação visual inspirada na literatura de Charlotte Brontë, Franz Kafka e Eça de Queiroz, nas pinturas de William Hogarth, nos contos populares portugueses, nas narrativas bíblicas e nos contos infantis, de onde extraiu uma vasta iconografia de figuras e situações. A sua obra realça os mecanismos psicológicos e sexuais subjacentes aos comportamentos humanos, simultaneamente subvertendo e destabilizando noções comummente aceites sobre temáticas sociais, políticas, religiosas e, sobretudo, sobre a mulher e o seu papel na esfera íntima e doméstica das relações humanas.
Rehberger, Tobias
Mutter 81%, 2002- Mãe 81%, 2002
- Metal, papel plastificado, tecido, acrílico, madeira, fita adesiva
- 280 x 700 x 570 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2006
- "Mutter 81%" [Mãe 81%] faz parte de uma série de obras concebidas por Rehberger como maquetas de arquitetura - casas ("Mutter 53%", mostrada no Parque de Serralves em 2002) ou garagens ("Mutter 93%") - feitas à escala indicada nos títulos. Trata-se de uma estrutura penetrável composta por duas partes: um elemento opaco e multicolorido feito de tecido e recipientes Tetra Pak, e um elemento transparente em acrílico azul. O impacto visual desta grande instalação deve-se não só ao espectro de cores vivas, destinado a provocar otimismo e bem-estar, mas também ao contraste entre os materiais e as suas texturas: opacidade e translucidez, rigidez e flexibilidade. O bloco geométrico que expõe o interior do espaço representa uma forma de espaçopúblico, ao qual o artista anexou um abrigo flexível e quase orgânico que é sensual e agradável ao toque e protege o visitante dos olhares exteriores.A intenção de Rehberger não é que os espectadores se percam em profundas reflexões acerca do conceito de obra de arte, mas que entrem na própria obra para se divertirem e relaxarem. Para o artista, deve existir uma libertação do objeto artístico e uma dissolução das fronteiras tradicionais entre autor e espectador.Tobias Rehberger faz referências aos mundos da arte, do design, da arquitetura e do cinema enquanto elementos de um património coletivo que pode ser utilizado na construção de novas obras. O artista considera estas referências como filtros para as suas esculturas e ambientes construídos.
Mário Pedrosa, 2003- 77 candeeiros, intensidade controlada via internet
- Dimensões variáveis
- Col. privada, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2003
- Quando, por ocasião da sua exposição no Museu de Serralves em 2002, Tobias Rehberger, tomou conhecimento do interesse do Museu pela crítica do modernismo no contexto artístico brasileiro, protagonizada entre as décadas de 1950 e 70 por, entre outros, Mário Pedrosa, Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape, decidiu estabelecer uma ligação entre a Biblioteca de Serralves e o Centro de Documentação do Movimento Operário Mário Pedrosa, em São Paulo.A obra é constituída por 77 globos de vidro de fabrico artesanal suspensos e um software que, partilhado via internet, faz variar a intensidade da iluminação da Biblioteca de Serralves em função das variações registadas na luminosidade do arquivo paulista. Esta utilização literal e metafórica da luz - um dos seus materiais de eleição - caracteriza uma família de obras de Rehberger de dimensões monumentais, de entre as quais se destacam Anderer (Coleção ZKM, Karlsruhe) e Outsiderin et Arroyo grande 30.04.02?11.08.02 (Coleção Centre Pompidou, Paris), ambas de 2002. A primeira, composta por 89 candeeiros aquando da sua primeira instalação no museu que viria a adquiri-la, foi exibida na Trienal de Yokohama de 2011 numa versão reduzida a 59 globos que, ligados via internet ao interruptor do quarto de uma criança na cidade japonesa, acendiam ou apagavam consoante se apagava ou acendia a luz do quarto. A segunda é composta por 66 candeeiros em vidro amarelo e 22 em velcro que, ligados a um captador de luz fixado no exterior e a um variador de intensidade, modificam a luz interior em função da claridade exterior.Marca distintiva do corpo de trabalho de Rehberger, todas estas peças se configuram como ambientes integrados, existindo simultaneamente como obras de arte e como objetos dotados da sua funcionalidade intrínseca. Construídas em torno da noção de "alhures", questionam a relação entre identidade e contexto.
Reis, Pedro Cabrita
Um quarto dentro da parede, 1989- Madeira pintada
- 200 x 240 x 3.5 cm
- Col. Peter Meeker, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1999
- Pedro Cabrita Reis iniciou o seu percurso artístico nos primeiros anos da década de 1980. Compostas por elementos ou fragmentos domésticos e do quotidiano organizados em estruturas mais ou menos abstratas à escala humana, as suas obras, frequentemente próximas do conceito de instalação, demonstram uma particular sensibilidade para a ocupação do espaço.A utilização de um leque muito variado de materiais de grande simplicidade e banalidade (madeira, vidro, plástico, acrílico, borracha, gesso, metal, linho, tela e feltro), o constante diálogo com a história da arte e a combinação de memórias, gestos e ações da vida quotidiana acentuam a marcada índole metafórica das criações de Cabrita Reis. Em "Um quarto dentro da parede", uma minúscula e delicada cadeira como que completa e preenche o espaço de um quarto até ali vazio.
Inferno, 1989- Tinta sobre madeira, cerâmica, resinas sintéticas
- 107 x 65.5 x 201 cm
- Col. Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 2000
- Numa extensa e poética reflexão sobre imagens e memória, Pedro Cabrita Reis tem utilizado, desde a década de 1980, uma multiplicidade de meios como o desenho, a pintura, a escultura, a instalação e a fotografia."Inferno" realça sobretudo a importância que a dimensão metafórica tem tido no trabalho deste artista. Cabrita Reis explora o potencial semântico e metafórico dos materiais utilizados, como cerâmica, resinas sintéticas e cera derretida sobre papel de embrulho. Cabrita Reis sugere noções de ocupação e de ritual, empregando uma intrigante sensibilidade cénica que privilegia subjetividade e memória.
Echo der Welt I, 1993- Eco do mundo I, 1993
- Madeira, gesso cartonado, tijolos, serapilheira, cadeira e mesa de madeira, radiador, jarro de água, óleo sobre cartão, desenho sobre papel vegetal, livro, tubos de cobre, mangueira de borracha, cabos eléctricos, lâmpadas
- 304 x 500 x 133 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1998
- Parte de um conjunto de três obras realizadas entre 1993 e 1994, "Echo der Welt I" [Eco do mundo I] demonstra a abordagem de Pedro Cabrita Reis à obra de arte como um meio para o desenvolvimento de conceitos especulativos e filosóficos. Segundo o artista, o trabalho é um "posto de escuta", morfologicamente semelhante a uma casa, um dispositivo dentro do qual o sujeito se torna virtualmente um "protótipo do mundo". Antes da cidade que o tem ocupado em anos mais recentes, a casa é um tema recorrente na obra de Cabrita Reis enquanto arquétipo que dá forma física ao distanciamento entre o homem e a natureza e funciona simultaneamente como metáfora da abertura para mais conhecimento. Reservatórios, observatórios, pontes, caminhos e condutas são desdobramentos da ideia de casa que a enriquecem de referentes associados à produção, acumulação e distribuição de energias ligadas à vida. "Echo der Welt I" revela uma prática de recolha de elementos e objetos usados na construção e no quotidiano, como tijolos, mangueiras, contraplacados, jarros e mobiliário. O artista interpreta-os como "desperdícios da memória" aptos para uma reelaboração dos seus valores semânticos originais, o que intensifica, complexifica e torna ambíguos os seus sentidos implícitos. A consideração da dimensão poética e subjetiva da criação plástica, que distingue os objetos artísticos de outro tipo de objetos, revela o protagonismo dos significados, em detrimento da forma, que associa a obra de Cabrita Reis ao processo de renovação da escultura ocorrido a partir de meados da década de 1980. Apesar de conter vários indícios das atividades primordiais da existência humana, como a alimentação, o repouso e o abrigo," Echo der Welt I" assemelha-se a uma cabina técnica na qual a medição e a reconfiguração do mundo se processam através dos tempos lentos da espera. A ausência de paredes exteriores e a elevação de toda a estrutura em relação ao solo exprimem aquilo que o curador e crítico de arte Germano Celant descreveu como uma "teatralidade suspensa". Mais do que isso, as mangueiras de borracha e os tubos de cobre que a envolvem parecem substituir órgãos humanos e mecanizar a condução dos fluxos vitais, sugerindo a convergência entre a casa e o eu. No limite, esta obra aborda o desejo romântico de concretização de uma mundividência que é o grande arquétipo norteador da relação entre o homem e a realidade, ideia reforçada pela inclusão de um pequeno autorretrato (entretanto perdido). Nas palavras do próprio artista, a "casa virá, então, enquanto lugar do humano, a ser o modelo real da perfeição do mundo."
One Floor, One Floor Plan, 2004- Viga metálica, madeira, alumínio, poliéster sobre tapete
- 82 x 441.5 x 280 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2012
- A obra de Pedro Cabrita Reis começou desde o início dos anos 1980 a desenvolver uma particular sensibilidade para a ocupação do espaço. Criados numa escala próxima do monumento, fragmentos do quotidiano surgem em estruturas mais ou menos abstratas. A utilização de um leque muito variado de materiais de grande simplicidade e banalidade (madeira, vidro, plástico, acrílico, borracha, gesso, metal, linho, tela e feltro), o constante diálogo que mantém com a história da arte, e a combinação de memórias, gestos e ações da vida quotidiana, acentuam o forte ímpeto metafórico que as suas criações sempre evidenciam.
I dreamt your house was a line (Porto version), 2003 - 2016- sonhei que a tua casa era uma linha (versão Porto), 2003 - 2016
- Tinta acrílica sobre parede, alumínio, armaduras de luz pintadas, luzes fluorescentes
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2017
- Apesar da sua formação como pintor, Pedro Cabrita Reis (Lisboa, 1956) é sobretudo conhecido pelas suas amplas instalações e construções. Os seus materiais de eleição são tábuas, tijolos, ferro, placas de vidro e lâmpadas fluorescentes, objetos que provêm do mundo do trabalho e da indústria e cuja origem o artista resiste a modificar ou dissimular. É o próprio quem afirma: "Em escultura, interessa-me o ato de construir. Há escultores que modelam (?), mas eu incluo-me na família dos que constroem, dos que põem uma coisa sobre outra, que ligam duas coisas, que ligam uma pedra com um bocado de madeira, um ferro com um bocado de vidro, que têm que estudar como é que as coisas se ligam. Qualquer peça é, de certa forma, uma metáfora sobre o ato de construção. O ato de construção que é, a meu ver, aquilo que define a humanidade mais do que outra coisa qualquer".A instalação "I Dreamt Your House Was a Line (Dartmouth version), embora dialogando com estruturas edificadas e a linguagem da construção, é simultaneamente uma forma expandida de pintura, em que questões como figura e fundo, gesto, abstração, perceção ótica e corpórea assumem uma escala arquitetónica.
Rocha, Arlindo
Arlindo Rocha (Porto, Portugal, 1921 - Porto, Portugal, 1999)Homenagem a Fernando Pessoa - Aos Homens, 1970- Bronze
- 27 x 58 x 17.5 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- Arlindo Rocha foi um dos pioneiros da escultura abstrata em Portugal. Esta obra faz parte de um conjunto de esculturas criadas como "homenagens" a vultos da cultura que produziram obras de caráter progressista e moderno em Portugal. Recorrendo à linguagem geométrica e construtivista que começaria a desenvolver nesta altura, Arlindo Rocha constrói uma espacialidade a partir do núcleo interno da escultura, de onde irrompem planos dinâmicos e tensos em múltiplas direções.
Rodrigo, Joaquim
Joaquim Rodrigo (Lisboa, Portugal, 1912 - Lisboa, Portugal, 1997)Paris - Orio, 1975- Tinta acrílica sobre aglomerado
- 98.5 x 147.5 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- "Paris - Orio" é um exemplo das numerosas pinturas-itinerários onde Joaquim Rodrigo estabelece um mapa mnemónico e subjetivo através de uma gramática de signos que representam o trajeto dessa viagem. A composição diagramática, composta por pictogramas e palavras pintados de forma simplista e pueril, remete para o interesse do artista pela arte primitiva e aborígene, sublinhado por uma paleta de cores (que inclui ocres, brancos e pretos) reminiscente da sua formação em agronomia.É impossível falar de modernidade na pintura portuguesa sem referir a obra de Joaquim Rodrigo. De grande ecletismo pictórico e conceptual, o artista rapidamente transita de um registo abstrato e geométrico para, a partir de 1960, uma exploração neofigurativa que desenvolveria nas décadas seguintes de forma coerente.
Rosa, Manuel
Manuel Rosa (Beja, Portugal, 1953)Sem título, 1986- Calcário e tinta de óleo
- 220 x 53 x 50 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- "Sem título" é, de entre a série de figuras humanas realizada na primeira metade dos anos 1980 por Manuel Rosa, porventura a mais inquietante. Com uma posição corporal fixada algures nos limites da dor e do prazer, o movimento sugerido pelo braço levantado é, no entanto, anulado pela contenção e gravidade que emanam da escultura. Vários pressupostos da escultura arcaica e clássica, como a representação, a monumentalidade, o recurso à alegoria e a prática de pintar as estátuas para um maior realismo, são explorados em "Sem título" como se fossem vestígios de memórias longínquas. Associado à renovação da escultura em pedra que ocorreu em Portugal na década de 1980, Rosa introduz nesta obra processos decididamente modernos, como o recurso à serra elétrica, o seccionamento das várias partes e sua posterior sobreposição e uma modelação rudimentar, quase esquemática, das superfícies que lhe retiram qualquer intenção naturalista.
Rosa, Artur
Artur Rosa (Lisboa, Portugal, 1926 - Lisboa, Portugal, 2020)Sem título, 1973- Acrílico, colagem e papel prateado sobre aglomerado
- 50 x 50 x 3.1 cm
- Col. Secretaria de Estado da Cultura, em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990
- A partir de 1965, a prática artística de Artur Rosa, artista e arquiteto, é definida pela abstração geométrica e por uma exploração estética dos efeitos óticos. Através de uma decomposição do movimento pelo uso da pintura e da colagem, este trabalho estrutura-se em formas geométricas que se movimentam no espaço do quadro, criando malhas compositivas dinâmicas e dobras lumínicas, bem como um jogo de equilíbrio entre pleno e vazio, interior e exterior, cor e apagamento.
Rosado, António Campos
Sem título, 1986- Calcário, grafite e lápis de cor
- 160 x 100 x 100 cm (aprox.)
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Doação do artista em 1989
- Em "Sem título", António Campos Rosado esculpiu seis cabeças em seis blocos de pedra diferentes e com elas e os fragmentos remanescentes criou esta obra. Amontoada num canto e reminiscente das "Fat Corner" (1968) de Joseph Beuys, que foi professor do artista na década de 1970, a aparente acumulação aleatória desta obra assemelha-se aos restos de um monumento evocativo cujo significado se perdeu na sua atual condição de ruína. Participando do movimento de renovação da escultura portuguesa da primeira metade dos anos 1980, "Sem título" assinala a ultrapassagem crítica e descomplexada da pesada herança deixada em Portugal pela estatuária monumental e celebrativa do Estado Novo (1933-74). Nesta obra, Campos Rosado realiza um processo simultâneo de retorno à tradição escultórica e sua revisão, recuperando o uso de um material nobre como a pedra e desconstruindo e reelaborando, de modo pós-moderno, a capacidade alegórica e simbólica da arte.
Rosler, Martha
Semiotics of the Kitchen, 1975- Semiótica da cozinha, 1975
- Vídeo, p/b, som, 4:3, PAL, 5'25"
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Em "Semiotics of the Kitchen", Martha Rosler recorre à sátira para criticar duramente a versão mercantilizada do papel tradicionalmente atribuído à mulher nas sociedades modernas. Surgindo como anfitriã de um programa televisivo de culinária, a artista apresenta cada um dos utensílios da cozinha em progressão alfabética, substituindo o seu significado doméstico por um léxico de raiva e frustração na forma violenta e abrupta como interage com eles.O trabalho de Martha Rosler centra-se sobretudo em meios como o vídeo, a instalação ou a performance, através dos quais a artista explora preocupações ligadas à esfera pública, à vida quotidiana ou a narrativas mitificadas pelos meios de informação, perspetivadas sob um olhar feminista.
Roth, Dieter
Dieter Roth (Hannover, Alemanha, 1930 - Basileia, Suíça, 1998)P.O.T.A.A. VFB, 1969- Chocolate, alpista, madeira. Ed. 3/30
- 22.5 x 24.9 x 23.1 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- A utilização de chocolate nas obras de Dieter Roth foi tão frequente, complexa e variada que se pode dizer que o artista suíço transformou aquela substância num novo meio artístico. De facto, nenhum outro material está tão associado ao seu nome como este. Roth gostava de chocolate pelo seu aroma e pelas reminiscências de infância que lhe despertava. Também apreciava as constantes mudanças observáveis na sua superfície, quase imediatamente após entrar em contacto com o ar, para ele um sinal eloquente do caráter transitório da matéria.Feitos de uma mistura de chocolate e alpista, o busto, oferecido juntamente com um cabo de vassoura e uma placa de madeira, destinavam-se a ser instalados em jardins, onde seriam comidos pelos pássaros até desaparecerem. Em fotografias da época pode ver-se no jardim de um colecionador, já parcialmente debicado, um exemplar colocado sobre um pedestal improvisado com os referidos materiais.O título, poliglótico, é um acrónimo para "Portrait of the Artist as Vogelfutterbüste" [Retrato do artista como busto de comida para pássaros]. Nele podemos ler uma dupla alusão ao conhecido romance de James Joyce "Portrait of the Artist as a Young Man" [Retrato do artista quando jovem], que Roth considerava sentimentalista, e ao famoso ready-made assistido de Duchamp que associa a uma reprodução da Mona Lisa de Leonardo da Vinci (adornada com uma pera e um bigode) a legenda "L.H.O.O.Q." (que na fonética francesa equivale à frase "elle a chaud au cul" [ela tem calor no cu]). A perecibilidade do material de que é feita esta obra coloca problemas de conservação, que Roth antecipou. Conquanto instruísse colecionadores e curadores de museus no sentido de em nenhuma circunstância o trabalho dever ser restaurado ou devolvido à sua condição original, o artista encorajava por outro lado os esforços para o preservar, chegando a avançar sugestões concretas.Influenciado pela poesia concreta, o nouveau réalisme e o movimento Fluxus, a prática de Dieter Roth resiste a qualquer classificação. A enorme variedade de meios e materiais que usou ao longo da sua carreira demonstra uma clara rejeição dos valores e categorias tradicionais da arte. Muito frequentemente, Roth incluía comida nas suas esculturas: queijo, chocolate, pão. Subjacente a este gesto estava uma dupla intenção: permitir que os materiais orgânicos se deteriorassem, tornando visível a passagem do tempo, mas também explorar o fator do acaso: os trabalhos deveriam evoluir segundo as condições em que fossem conservados.
Dieter Roth (Hannover, Alemanha, 1930 - Basileia, Suíça, 1998)Über Meer, 1969- Sobre o mar, 1969
- Metal, gesso, queijo mole. Ed.1/10
- 18.5 x 32.5 x 32.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2007
- "Über Meer" [Sobre o mar] apresenta-se como uma "pirâmide" formada por vários pedaços quadrangulares de queijo sobrepostos em camadas ascendentemente mais pequenas. A sua forma é reminiscente dos templos sumérios que povoavam, na antiguidade, o território hoje ocupado pelo Iraque e áreas adjacentes, e de que a bíblica Torre de Babel é o exemplo mais conhecido. Dieter Roth usou com frequência materiais inusuais no contexto artístico como alimentos, os quais, por serem orgânicos e perecíveis, desafiavam os limites da escultura e os conceitos que lhe são tradicionalmente associados, como a perenidade e a imutabilidade. Com o passar do tempo, "Über Meer" foi-se alterando: o queijo mole, sujeito à temperatura ambiente, foi derretendo e ligando entre si os diversos patamares da pirâmide, e o desenvolvimento de bolor acabou por solidificar em estado de decomposição. Ambas as situações acabaram por conferir uma inusitada e irónica firmeza ao material fluido e cambiante escolhido pelo artista.Influenciado pela poesia concreta, o nouveau réalisme e o movimento Fluxus, a prática de Dieter Roth resiste a qualquer classificação. A enorme variedade de meios e materiais que usou ao longo da sua carreira demonstra uma clara rejeição dos valores e categorias tradicionais da arte. Muito frequentemente, Roth incluía comida nas suas esculturas: queijo, chocolate, pão. Subjacente a este gesto estava uma dupla intenção: permitir que os materiais orgânicos se deteriorassem, tornando visível a passagem do tempo, mas também explorar o fator do acaso: os trabalhos deveriam evoluir segundo as condições em que fossem conservados.
Dieter Roth (Hannover, Alemanha, 1930 - Basileia, Suíça, 1998)Selbstbild als Topfblume, 1971- Auto-retrato como vaso de flores, 1971
- Impressão planográfica, 24 cores, 11 formas de impressão, papel de fabrico manual amarelo e marca de água de Dieter Roth. Ed. 70/110
- 76 x 98.4 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2002
- Em" Selbstild als Topfblume" [Autorretrato como vaso de flores ] Roth contraria exemplarmente as ideias feitas associadas às técnicas mecânicas de produção de imagens. Jogando com a ideia de múltiplo, o artista recorre a uma sucessão de técnicas de impressão cujo resultado final não consegue prever e que questionam o seu papel enquanto autor. Simultânea e ironicamente, porém, recorre à manualidade - o papel é de fabrico caseiro - e a fortes signos autorais - este trabalho tem a sua marca de água, e é anunciado como um autorretrato. Dieter Roth é um artista conhecido pela utilização de materiais não convencionais nas suas obras, como chocolate, queijo e salame, entre muitas outras substâncias degradáveis. Esta variedade de suportes, acentuada pela profusão dos seus meios artísticos de eleição - a pintura, a escultura, o desenho e a gravura -, constitui um constante desafio e demonstra uma clara recusa dos valores e categorias tradicionais da arte, nomeadamente a sua suposta natureza intemporal e eterna. A gravura, a que Roth se dedicou exaustivamente, era o meio ideal para deixar o acaso trabalhar e assim impor a obra de arte como signo de transitoriedade e contrariar quaisquer noções de autoria.
Ruscha, Ed
Ed Ruscha (Omaha, EUA, 1937)Acting Silly, 1974- Mirtilo sobre seda moiré
- 91.4 x 101.5 cm
- Col. Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 1999
- Explorando a interação metafórica entre a forma das palavras e o seu significado linguístico, "Acting Silly" apresenta uma série de letras ordenadas em diagonais paralelas pintadas com extrato de mirtilo. Esta pintura apresenta duas características essenciais da prática de Ruscha: o uso de materiais invulgares como matéria pictórica e a mediação entre palavra e imagem, com as letras seguindo aparentemente a sugestão espirituosa do título.Recorrendo à pintura, ao desenho, à fotografia ou ao livro de artista, o trabalho de Edward Ruscha explora a banalidade da vida moderna e a torrente de imagens e informações que nos confrontam diariamente. Experimentando inicialmente o expressionismo abstrato, o seu trabalho subsequente seria sobretudo marcado pela combinação entre o verbal e o visual - resultante do seu interesse inicial pelas artes gráficas -, inspirando-se na cultura vernácula norte-americana, nas suas paisagens e imaginário cultural popular.
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